Queria poder escrever belos versos esta noite, tentar desafogar esta angústia de meu peito, esta dor sem nome e sem motivo...
Mas não, esta noite, embora bela, não está para versos por mais que eu tente, a prosa será a senhora hoje.
Reina o caos no meu quarto, pode-se encontrar de quase tudo em meu leito. Quem dera em meio aos livros, bolsas, roupas, pudesse encontrar um pouco de mim...
Espero pacientemente meu chá de camomila esfriar enquanto escrevo estas linhas (nunca consegui tomar o que quer que fosse quente), espero...espero que ele cumpra a função para o qual foi preparado. Será justo depositar tamanha confiança em um simples chá? Como se um chá pudesse curar todas as feridas ...Será que ele cumprirá sua função?Esperamos tanto das coisas. Esperamos tanto de tudo. O que será que esperam de mim?
Minha cabeça dói. Há anos esta dor me acompanha, sem que eu jamais me acostume com ela. Cada vez ela possui uma nuance nova, a cada nova aparição ela traz consigo uma recordação, uma dúvida, uma certeza diferente (não necessariamente cada uma dessas coisas). Ela, que é minha amante, minha amiga, minha inquisidora, minha algoz. Ela, que quando parte, deixa um vazio tão grande, e uma angústia tão forte em meu peito.
As palavras fogem de minha mente, tento em vão procurar um desfecho, uma conclusão, uma frase coerente. Perdoai-me querido leitor, por não poder oferecer-lhe mais do que um ponto final.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
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